Sempre tive interesse em promover a preservação de nossa memória e acredito que a História do Brasil constituise o resgate dos fatos ocorridos em cada um dos seus municípios. Quando fui convidado a organizar o acervo do livro “Retratos de Engenheiro Coelho”, apesar de tratar-se de uma obra de cunho iconográfico, considerei a inclusão de um breve histórico que, no minimo pudesco informar o leitor sobre o início do povoado.
Depois de pesquisar em inúmeros arquivos, museus e bibliotecas, tive o prazer de encontrar um dado interessante que, sem dúvida, justificou o tempo gasto nos estudos. Nos museus de Sorocabana e da Cia Paulista, situados nas
cidades de Sorocaba e Jundial espectivamente, encontram-se arquivadas as coleções incompletas da monografia da cultura ferroviária “Nossa Estrada”. Na edição nº 189, datada de março de 1954, na seção “Significados e Origem dos Nomes das Estações da Estrada de Ferro Sorocabana” foi publicado um artigo sobre a estação de Engenheiro Coelho. O articulista, Sr. Aureliano de Souza, ex-inspetor e contador da dita companhia, afirmou que o nome do engenheiro homenageado era o denominador da estação, foi “Dr. Antônio Constantino Coelho, natural do Paraná que, durante muitos anos, exerceu o cargo de oficial da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Ele foi casado com dona Benivinda de Carvalho, da mesma família que deu nome à estação situada no Km 248,563 do Júlio Prestes foi inaugurada em 02/10/1912, com o nome de Guai - João Eduardo Heflinger Junior
trabalho prestado pelo Dr. Coelho em prol da antiga linha Funilense, passou a denominar-se Engenheiro Coelho.
Como as terras que abrigaram o povoado que deu origem à cidade que adotou o nome do agraciado, formaria posteriormente o município de Mogi Mirim, recém criado sob os auspícios do arquivo da dita municipalidade. A exemplo da maioria das comunidades brasileiras, esse rico patrimônio documental está desorganizado, mal conservado e de difícil acesso. Considerando que o povoado pertenceu ao distrito e posteriormente à cidade de Artur Nogueira, também consultei o arquivo e a biblioteca do município.
Durante semanas após essas visitas, tive o prazer de conhecer o Sr. Edison Fávero, renomado professor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da UNICAMP, que além de ser natural de Engenheiro Coelho e amar essa comunidade, há alguns anos dedicara-se ao estudo da sua origem e desenvolvimento. Em 1976, em seu trabalho final de graduação pela
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, ele resgatou parte da história de sua terra natal. Depois de analisar essa pesquisa minuciosa, considerando que ambos possuíamos o desejo de executar essa tarefa com maior profundidade, procurei a sua orientação e colaboração. Com sua disposição para assessorar-me na organização e catalogação de documentos significativos, resolvemos contribuir com esse banco de imagens impresso, temperando-o com um pouco da história dos primórdios do povoado.