De acordo com relatos de antigos moradores, por volta de 1910, a Fazenda Guaiquica já contava com aproximadamente 420 alqueires. Seu dinâmico proprietário imprimiu toda a força existente para desenvolvê-la e, a cada ano que se passava, mais se produzia e se construía. Pedro Hereman foi implementando equipamentos necessários à sua manutenção e desenvolvimento. Foram instalados moinho de fubá, máquinas de beneficiar arroz e café, fábrica de farinha de mandioca, barracão de beneficiamento da laranja, serraria, olaria, oficina, armazém, escola e silos para armazenamento dos produtos agrícolas. As cinco colônias da fazenda eram conhecidas por Colônia da Sede, Colônia da Olaria, Colônia do Meio, Colônia da Fábrica de Farinha e a Colônia da Guaiquica, onde existiam a oficina de ferramentas agrícolas, três residências em seu entorno, o armazém, os barracões que serviam para depósito, além da primeira farmácia e a primeira sala de aula da escola da fazenda, com uma casa ao seu lado. Essa colônia foi a célula-máter da formação do atual núcleo urbano, denominado Engenheiro Coelho.
A fazenda passou por um período de desenvolvimento fabuloso, tendo como base em sua economia de produção a cultura do café, produto exportado para a Bélgica, onde a família Hereman possuía uma torrefação que comercializava o café brasileiro (Estrela Brasileira). Os Hereman venderam a empresa em 1980. Além do café, eles produziam laranja, que também era exportada para a Bélgica, Inglaterra e Holanda. A Guaiquica também produzia algodão, mandioca, cereais, e abrigava
Pedro Hereman conseguiu a alteração do traçado da ferrovia (ramal da Funilense / Sorocabana), de maneira que ela passasse pelo interior da fazenda, de forma que todas as colônias ficassem em sua proximidade. Em 1912, foi construída a estação da estrada de ferro na Colônia Guaiquica, que passou a ser conhecida pelo mesmo nome da colônia e, a partir de 27 de agosto de 1923 denominou-se “Engenheiro Coelho” em homenagem ao Dr. Afonso Constante Coelho que, durante muitos anos, exerceu o cargo de fiscal da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. (Figura 6) (denominação ostentada anteriormente pela estação ferroviária de Conchal).
Conforme relatos, Pedro Hereman foi um excelente administrador e incentivador da educação. Ele construiu e viabilizou a operacionalização de uma sala de aula, vinculada ao Município de Mogi Mirim, denominada Escola Rural da Guaiquica, administrada pela Secretaria Estadual de Educação (Figura 5). Ele era amante da música e para incentivar seus empregados, contratou um professor de Campinas para ministrar-lhes aulas desta arte, obrigando-os a frequentá-las assiduamente, sob pena de ser descontada uma parcela de seus ordenados caso não se interessassem pela disciplina. Além desse professor, outros contratados para lecionar na escola da colônia eram hospedados na sede da fazenda. Alguns moradores antigos citam um fato pitoresco sobre o proprietário da Fazenda Guaiquica (São Pedro). Por ocasião de suas viagens de negócios à Europa, ele exigia que a banda musical, mantida às suas custas, promovesse retretas, em sua partida no Porto de Santos e na Estação Ferroviária de